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Posts Tagged ‘Raul Seixas’

Toca Raul!

Raul Seixas foi o brado da sociedade alternativa diante da repressão da censura. Foi o maluco mais beleza do rock! As letras que compunha diziam um pouco dele e do mundo, numa mescla poética entre o real e a realidade fantasiosa que ele criava. Ele mostrou que era possível compor boas músicas, sem recorrer a obviedade para atingir as multidões.

O jargão “Toca Raul”

Ninguém pode afirmar com segurança de onde veio esse ‘Toca Raul’, mas que virou uma mania nacional, isso virou”, comenta Sylvio Passos, presidente do Raul Rock Club e considerado uma autoridade no assunto. “De shows com estrelas internacionais, passando por rodinhas de violão, barzinhos, casas noturnas, salão de festas. Sempre tem alguém que grita. Acho natural músicos e artistas se irritarem com isso. Outros acham graça. Eu, pessoalmente, acho muito bom, embora eu nunca tenha cometido essa indelicadeza em locais que nada têm a ver com o universo de Raul Seixas.”

É melhor perguntar se existe algum show em que ninguém grite. Quando começam a pedir, a gente toca as músicas dele”, conta Tico Santa Cruz do Detonautas.

Marco Mazzola, amigo de Raul Seixas e produtor dos primeiros discos do Maluco Beleza, acha que o grito já é algo tradicional. “A obra do Raul Seixas é muito forte. Basta ver quantos artistas gravaram músicas dele. Tem Nando Reis, Frejat, até Chitãozinho e Xororó. Uma grande parcela da juventude de hoje gosta dele. Para ser fã de Raul, não tem idade. Hoje, 20 anos depois de sua morte, a obra dele continua atual.”

Por que ele marcou a história do rock?

Ele foi um dos arquitetos do rock brasileiro. Sua composição tinha a flexibilidade de incorporar vários estilos. Ele tinha o DNA da canção: ia desde a música brega ao baião até a canção americana. Raul usava o rock como ponto de partida para um artesanato da canção que poucos compositores brasileiros conseguiram. Vale falar ainda do sensacional humor que ele tinha, além de uma inquietação filosófica e mística, que ele dividiu com Paulo Coelho.”

Raul usa a linguagem do cordel, do repente, em uma música que é um rock. A genialidade dele está aí. O músico também radiografou muito bem a classe média nos anos Médici em ‘Ouro de tolo’.”

Segundo o autor, Raul Seixas surpreendeu até mesmo na época em que era considerado ultrapassado. “Quando achavam que estava decadente, ele surge com o ‘Carimbador maluco’, uma canção infantil que tem um texto altamente filosófico. Muita gente conheceu Raul Seixas nessa fase.”

Saiba mais sobre o Raulzito

Infância: Raul cresceu na cidade de Salvador. Em casa recebeu o incentivo da leitura, o que o fez mergulhar nos livros da biblioteca do pai. Tímido, vivia trancado no quarto lendo e compondo. Seu sonho era ser um escritor.

Influências: O Rock n’ Roll surgiu em sua vida através dos filmes de Elvis Presley, de quem tornou-se fã. Sempre gostou também de clássicos do rock dos anos 50 e 60. Acompanhou o sucesso de Luiz Gonzaga nas rádios. Nas viagens com o pai inspetor de ferrovia, conheceu os repentes dos matutos no nordeste.

Relâmpagos do Rock: Raul montou sua primeira banda com amigos de Salvador. Eram Os Relâmpagos do Rock, mais tarde The Panters, e por último, a banda adotou o nome Raulzito e os Panteras. O grupo fez shows no estado e em 1967, a convite do amigo Jerry Adriani, foi ao Rio de Janeiro para gravar um disco pela gravadora Odeon. Infelizmente o disco foi não obteve muito sucesso.

Jovem Guarda: A partir de 1970, contratado pela CBS (atual Sony BMG), Raul compõe mais de 80 músicas para a Jovem Guarda. Dentre elas estavam as famosas Doce, Doce, Doce Amor, Sha-la-la-la, Tudo que é bom dura pouco e Ainda queima a esperança.

LP retirado do mercado: Aproveitando a ausência do presidente da empresa, Evandro Ribeiro, grava seu segundo LP (intitulado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10), em que faz parceria com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star. O disco foi retirado do mercado sob o argumento de não se enquadrar à linha de atuação da gravadora.

Festival da Canção: Em 1972 participou do 7º Festival Internacional da Canção, promovido pela Rede Globo, e conseguiu a classificação de duas músicas, Let me sing (misto de baião e rockabilly) e Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo.

Paulo Coelho: Em 1973, pela Philips (atual Universal Music), gravou o LP Krig-Ha, Bandolo, numa parceria com Paulo Coelho e lançando os clássicos Metamorfose Ambulante, Mosca na Sopa, Ouro de Tolo, Al Capone. O Krig-Ha Bandolo seria desde então uma grande referência da Obra de Raul.Raul Seixas finalmente alcançou repercussão nacional. No ano de 1974, foi preso, torturado e mandado para o exílio nos EUA por divulgar a Sociedade Alternativa em suas apresentações com Paulo Coelho. Depois, com o sucesso do LP Gita, que vendeu 600.000 cópias, voltou ao Brasil.

Sucesso de público, desgosto na crítica: Em 1975, gravou o LP Novo Aeon, com a música Tente Outra Vez. Em 1976, grava o disco Há Dez Mil Anos Atrás. Depois, lançou mais outros três discos pela WEA (hoje Warner Music Brasil), que fizeram sucesso de público e desgosto na crítica. Nesse período, intensifica-se a parceria com Cláudio Roberto, com quem Raul compôs Maluco Beleza, O Dia em que a Terra Parou, Rock das Aranhas, etc.

Alcoolismo e depressão: Em 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao consumo de álcool, que lhe causa a perda de 1/3 do pâncreas. Separa-se da mulher e vai para os EUA levando a filha Scarlet. Em 1979, entra em depressão e é internado para tratar o alcoolismo. Em 1980, assinando novamente contrato com a CBS, lançou apenas mais um álbum Abre-te Sésamo e rescindiu o contrato. Seus dois discos seguintes, Raul Seixas e Metrô linha 743, e o livro As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor fizeram sucesso. Depois, as constantes internações para desintoxicação começaram a atrapalhar a carreira.

Marcelo Nova: Em 1987, grava UAH-BAP-LU-BAP-LA-BEIN-BUM. Um ano mais tarde, 1988, já sozinho, faz seu último álbum solo, A Pedra do Gênesis. A convite de Marcelo Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco. Em 1989, faz uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando mais de 50 apresentações pelo Brasil. O último disco lançado em vida foi feito em parceria com Marcelo Nova, intitulado A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil um dia após sua morte.

21 de agosto de 1989: Raul Seixas faleceu no dia 21 de agosto de 1989, aos 44 anos. Seu corpo foi encontrado às 8h da manhã, pela sua empregada, Dalva. Foi vítima de parada cardíaca: o alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo ao Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova (parceiro de Raul, com quem gravou o LP), tornando-se assim um dos discos de maior sucesso do eterno Maluco Beleza.

Confira abaixo a última entrevista do Raul ao lado do parceiro Marcelo Nova no Programa do Jô. Sugiro dar uma olhada também na continuação da entrevista através do youtube. Vale a pena.

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