
Quem curte música, muitas vezes, se interessa em saber também um pouco da teoria por trás dessa arte. Pra solucionar essa inquietação, exponho a seguir um resumo sobre os conceitos básicos. O conteúdo é do Curso Básico de Leitura e Percepção Musical da UFSCar, ministrado por Fernando Henrique Andrade Rossit e orientado pelo Prof. Dr. Glauber Lúcio Alves Santiago. Agradeço a estes pela autorização de uso. Curte aí!
A música é a arte do som, mas o que é o som? Todo som que ouvimos é originado da vibração de alguma coisa.
Através do ar, tais vibrações, em forma de ondas sonoras, se espalham em várias direções. Quando chegam ao nosso ouvido, fazem a membrana do tímpano também vibrar, então são transformadas em impulsos nervosos que são transmitidos ao cérebro, que os identifica como tipos diferentes de sons.
Não podemos deixar de destacar a importante relação entre o som e o silêncio, outro elemento básico da música. O silêncio é o espaço no qual é desenhado o som. Um nada seria se não fosse o outro, eles se complementam e marcam a presença um do outro.
A onda sonora se forma assim: inicialmente o corpo que realiza os movimentos oscilantes se movimenta em uma direção (faça um experimento movimentando a palma da mão para a frente, pense que sua mão é um objeto que vibra), neste momento as moléculas de ar que estavam onde a mão estava foram deslocadas para frente, assim o espaço que eles tinham para ocupar ficou menor e elas ficaram mais juntas, umas das outras. Depois, o corpo faz um movimento na direção oposta (puxe a palma da mão para traz), agora as moléculas de ar que haviam sido deslocadas para frente serão deslocadas para traz, assim um “vácuo” foi criado no lugar. Bem, o que ocorre é que estes deslocamentos de moléculas geram compressões e descompressões de ar. Estas, por sua vez, transmitem-se como uma onda para as outras moléculas adjacentes.
O ruído também possui um papel muito importante na música. A maioria dos instrumentos de percussão (caixa, pratos, tambores etc.) produzem vibrações irregulares e, por isso, seus sons são classificados mais como um ruído do que um som musical propriamente dito.
O que determina a qualidade de um som é o corpo sonoro onde o som é produzido. Dá-se o nome de corpo sonoro ao objeto que realiza o movimento vibratório que produzirá o som.
Todo e qualquer som é identificado pelo nosso cérebro em quatro características fundamentais, o que chamamos de propriedades do som: 1. Duração; 2. Intensidade; 3. Altura; 4. Timbre.
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A duração é o tempo de produção do som, ou seja, é o tempo musical. A duração dos sons podem ser indicadas em quaisquer unidades de tempo como horas, minutos etc. Porém, o mais comum na leitura musical tradicional é o tempo musical.
O tempo musical é uma forma bastante simples e eficaz de se indicar durações musicais e nada mais consiste do que um fragmento uniforme do tempo que se repete em ciclos. Pense, pois, em uma goteira que vai pingando, se você estabelecer que cada gota marca o início de um tempo você tem a marcação do tempo musical. O mesmo pode ser feito com qualquer outro objeto que indique padrões de tempo, como o relógio ou alguma engrenagem.
Com o que foi exposto, nota-se que o tempo musical pode variar em constância e em velocidade. Por exemplo: se as gotas de água caem em intervalos de tempo irregulares, a marcação do tempo será irregular. Se, do contrário, as gotas caem de maneira regular, a marcação também o será. Com respeito à velocidade pense em um maratonista que a cada passo marca um tempo musical. Na subida a sua velocidade diminui e na descida aumenta. Com isso se diz que o andamento variou.
O andamento indica a velocidade do fluxo de tempos musicais. Geralmente ele é indicado como tempos por minuto. Por exemplo: 60, 78 e 147 tempos por minuto.
Por fim, podemos indicar que os tempos musicais são a base na qual ocorrem os eventos musicais: notas musicais, ruídos e silêncios (pausas). Estes eventos podem começar em qualquer fragmento de um tempo e podem ainda durar quantos tempos se desejar.
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A intensidade do som é a força com que um som é emitido. Esta pode ser tão discreta que nossos ouvidos podem nem captar, ou tão fortes que podemos até ficar surdos, com o rompimento dos tímpanos. A variação na intensidade é muito utilizada pelos músicos para dar mais expressão à execução.
Existem diversas maneiras de se representar a intensidade sonora. Em nossa teoria musical utilizamos geralmente termos italianos para fazer esta indicação: fff (fortississimo), ff (fortissimo), f (forte), mf (mezzo forte = meio forte), mp (mezzo piano = meio fraco), pp (pianissimo), ppp (pianississimo).
Outra maneira utilizada para se representar a intensidade sonora passa pela indicação da potência sonora, indicada em Watts (W).
É interessante observar neste quadro a grande diferença de potência sonora que existe entre os diversos instrumentos. Este é um dos fatores que justifica a diferente quantidade de músicos nos diversos grupos de instrumentos em uma orquestra sinfônica.
Outro dado interessante é a potencia máxima do Bombo. É bom lembrar que este Bombo é aquele utilizando nas orquestras e que são bem maiores e mais graves que os Bombos (ou Bumbos) das baterias, de música popular. Este grande instrumento gera um som muito grave e por mais forte que seja é menos ouvido por nosso aparelho auditivo, pois este não ouve bem as freqüências mais graves (abaixo de 100Hz, aproximadamente). Assim, o bombo é realmente forte, mas não tanto quanto os números parecem indicar para o leigo.
Por fim, a última maneira de nos referirmos à intensidade sonora que utilizaremos neste texto é a notação decibel (dB). Apenas algumas indicações serão feitas. Zero dB é, nominalmente, o limiar da audição, abaixo dele o som é muito fraco e não é ouvido. 130 dB é o limiar da dor, ou seja, se o som se tornar mais intenso o tímpano do ouvido médio será rompido. 60dB é a intensidade sonora de um aspirador de pó é 35 decibéis é a intensidade do ruído de fundo de uma sala bem silenciosa.
O zero decibel é muito difícil (ou impossível) de ser ouvido, pois mesmo em uma câmera totalmente isolada uma pessoa ouve o ruído do seu próprio metabolismo (como o as batidas do seu coração).
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A variação da freqüência de um som nos dá a sensação de altura. Os termos grave e agudo não são absolutos, isto é, não existe uma faixa de freqüência universalmente específica para se definir um som como grave, médio ou agudo. Tudo isto dependerá da comparação que se quiser fazer. Na música ocidental utilizamos, geralmente, um sistema que estabelece as seguintes freqüências para cada nota musical.
Se uma nota não estiver dentro deste padrão, diz-se que está desafinada.
Para se ter uma idéia do que representam sonoramente estas freqüências pense que, por exemplo, o lá grave de um homem tem 220Hz e que o ré agudo de uma mulher tem 1.174,03Hz.
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O telefone toca e você atende e identifica apenas pela voz quem é a pessoa que está falando. O fator de maior importância para que isso ocorra é chamado de timbre. É ele que nos permite saber se é uma guitarra elétrica ou um violão que está tocando, mesmo que ambos estejam tocando a mesma nota. O timbre poder ser chamado de “a cor do som”.